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Não devemos nos assustar com os ataques e sim se manter na luta

Amanda Villatoro, Paulo Vannuchi e Juliana Salles disseram que na história do movimento sindical nunca foi fácil nem aqui nem em nenhum lugar do mundo, mas só na luta terá vitórias, por Rafael Silva

Não devemos nos assustar com os ataques e sim se manter na luta, disse Amanda Villatoro, secretária de Política Sindical e Educação da CSA (Confederação Sindical dos Trabalhadores da América), na abertura da mesa sobre a “Defesa dos Direitos, da Democracia e do Socialismo na América Latina e a Memória da Classe Trabalhadora”.

A dirigente começou sua fala dizendo que ser preciso estar nas ruas, em todos os momentos. “O que enfrentamos hoje não deve nos assustar, até porque tudo o que conquistamos de direitos não foi presente de ninguém. Foi tudo na base da luta e da mobilização. E é por isso que devemos nos manter na luta”.

Em seguida, Amanda falou dos ataques ao movimento sindical nas Américas, afirmando que, em maior ou menor grau, isso sempre ocorreu. “Os ataques aos movimentos sindicais sempre ocorreram. Na América do Sul nos anos 1960, por exemplo, as entidades foram atacadas, reprimidas e fechadas pelos governos militares”.

Ela também lembrou que os sindicatos possuem um papel importante no fortalecimento da democracia e combate aos golpes de Estado. “A luta pela democracia tem a classe trabalhadora e o movimento sindical na linha de frente”. Depois completou: “Já no período de respeito ao Estado Democrático de Direito, tivemos de enfrentar a ALCA, que era um plano dos EUA para que as américas fosse uma grande área de livre comércio para eles. E derrotamos esse projeto”.

Amanda é a primeira da esquerda para direita

Amanda ressaltou a importância da luta dos trabalhadores para que governos progressistas chegassem ao poder. “Tivemos um período de grandes mudanças, graças à classe trabalhadora, que possibilitoua chegada de governos como Néstor Kirchner, na Argentina, Hugo Chávez, na Venezuela, Vásquez, no Uruguai, Lula aqui no Brasil, entre outros. Eram presidentes que davam esperança para a luta”.

A dirigente da CSA também destacou a participação de organismos internacionais no projeto de desestatização dos governos latino-americanos.

“Os golpes nas américas começaram pela Costa Rica e, desde então, assistimos a implementação de um projeto neoliberal na região, com ataques aos direitos, aumento do racismo, violência de gênero e anti-imigrantista. “Em 2009, o então presidente da Costa Rica, Manuel Zelaya, sofreu um golpe de Estado. A partir daí, nos demais países, também ocorreram outros golpes e mudanças radicais de governos.

A luta por um socialismo real tem que estar nas ruas

Juliana Salles, médica e dirigente da CUT, fez a mediação da mesa e falou que um dos desafios dessa Conferência é discutir o modelo de socialiamo mais próximo da realidade. “Temos o objetivo de mudar o modelo econômico da sociedade, pois o capitalismo não nos serve. Ele nos leva a guerras e à fome. Não temos mais como conciliar com a burguesia. Querem tirar tudo o que a classe trabalhadora conquistou”.

A dirigente lembra que a greve geral será um momento importante para sinalizar a necessidade dessa transformação. “No 14 de junho temos uma possibilidade imensa de mudar esse cenário”.

Luta mundial com união da classe trabalhadora

Paulo Vannuchi, ex-ministro dos Direitos Humanos e atual presidente Fundação Comunicação, Cultura e Trabalho, que mantém a TVT e a Rádio Brasil Atual, também falou sobre a história de luta dos trabalhadores, mas num contexto mais histórico.

Vannuchi passou pelas lutas enfrentadas pelos trabalhadoras em países como a Grécia e a França, afirmando que a união da classe foi fundamental para a conquistas de direitos. “Toda a luta por direitos no mundo, inclusive o direito ao voto, foi feita pela união dos trabalhadores. Foi assim na França, quando os trabalhadores também pediram por igualdade, liberdade e fraternidade, antes só destinados aos nobres”, disse.

Ele também pontuou que apesar do momento de desmontes  o movimento sindical no Brasil é vitorioso por ter conseguido pautar e fazer grandes transformações no país. “Conseguirmos fazer o maior programa de distribuição de renda da história e isso não poderá ser destruído.  Mesmo que Bolsonaro queira acabar com o Bolsa Família, por exemplo, daqui a dois ou quatro anos, o programa volta”.