Notícias

Lula envia carta para a rede nacional de Formação na 4ª Conferência

O povo do sul do país trouxe a carta e a vigília Lula Livre para a abertura do quarto dia da 4ª Conferência Nacional de Formação da CUT (Conafor) e emocionou os 450 delegados e delegadas,

Texto Érica Aragão e fotos Lidyane Ponciano

Uma carta do ex-presidente Lula, que está preso em Curitiba há 418 dias, surpreendeu os cerca de 450 trabalhadores e trabalhadoras de todas as regiões do país no quarto dia da 4ª Conferência Nacional de Formação da CUT, que acontece em Belo Horizonte.

A carta foi resposta ao convite da rede nacional de formação para participar da atividade. A carta de Lula chegou nas mãos da presidenta da CUT Paraná, Regina Cruz, que representou a região sul, mas foi a secretária Nacional de Formação da CUT, Rosane Bertotti, que leu emocionada cada linha da mensagem do petista.  

Lula disse que estava emocionado de ter recebido o convite para participar da Conferência e que duas coisas o mantem forte na prisão, onde “os nossos adversários me colocou impedindo de estar aí com vocês e continuar mostrando do que é capaz a classe trabalhadora quando tem a chance de governar um país”.

“Encerrei uma assembleia no Sindicato dos Metalúrgicos do ABC no dia 7 de abril de 2018 dizendo que nunca mais ouse a duvidar da capacidade de luta da classe trabalhadora e esta frase nunca saiu da minha memória”.

“E é uma alegria muito grande saber que ela não saiu também da cabeça de cada trabalhador e cada trabalhadora deste país”, disse Lula na carta, se referindo a construção da 4ª Conferência como um momento de fortalecimento da classe trabalhadora. 

Experiência da CUT como forma de luta

O ex-presidente, que também foi fundador da CUT, contou que a formação dele foi feita na luta, durantes as greves das décadas de 80, no calor da luta, junto com os mais velhos de movimento e que essa experiência deve ser transmitida aos mais jovens pela formação da central.

“Eles precisam conhecer a história da Central Única dos Trabalhadores e entender o que a criação da central significou num país onde, até muito pouco tempo antes, a organização sindical era crime e greve dava cadeia”.

Lula também disse na carta que é preciso usar este conhecimento acumulado para criar novas formas de luta para este novo momento de desemprego recorde do país “com políticas criminosas dos governantes deste país” e para defender os direitos com as novas tecnologias.

“É preciso enfrentar essa nova realidade: os avanços tecnológicos que diminuem os postos de trabalho, a tentativa de rasgar a CLT e destruir os direitos trabalhistas”.

Segundo o ex-presidente, para isso não tem outro caminho.

“Não temos outro caminho a não ser lutar, lutar e lutar. É pesado o caminho, mas não existe atalho e nem sapatos confortáveis. O caminho é a união para nos tornarmos um pais melhor para nós, filhos e netos. A luta!”.

O público vibrou e levantou o grito de guerra conhecido da população. “Lula guerreiro do povo brasileiro”.

Para Rosane Bertotti, Lula tem razão. Segundo ela, a CUT tem história e legados importantes que precisam ser contados, como a eleição de um operário e uma mulher para a presidência da República e conquistas de direitos básicos fundamentais e que não só pode, como deve contribuir com o mundo do trabalho da Indústria 4.0.

“São mais de 35 anos de história que nos permite seguir em frente e pensarmos o mundo do Trabalho que está se transformando muito rápido, com ataques aos direitos. Nós precisamos a luz da nossa história apontar o projeto que queremos e estamos aqui levar a nossa proposta no Congresso Nacional da CUT, em outubro”.

Animação e Lula Livre na abertura do quarto dia

Depois do Sudeste, do Nordeste e do Norte na abertura dos três primeiros dias da 4ª Conferência Nacional de Formação da CUT, que acontece em Belo Horizonte, o povo do Sul trouxe a esperança e o amor da Vigília Lula Livre para o quarto dia da atividade.

Na manhã desta quinta (30), o povo do Sul emocionou os mais de 450 trabalhadores e trabalhadoras presentes na Conferência com a mística do “Bom Dia Presidente Lula” ao vivo em conexão direta com a Vigília Lula Livre em Curitiba. A história da Vigília que completa 418 dias de resistência foi contada na voz da secretária de Comunicação da CUT Santa Catarina, Adriana Maria Antunes de Souza.

O Coletivo MundicÁ, João Belo, Susi Mont Serrat, Ludmila Benquerer, Márcio Vesoli, Quincas da Viola e Rodrigo Salvador contribuíram com a animação da abertura deste quarto dia da Conferência e foi neste clima que os trabalhadores e as trabalhadoras, de mãos dadas, se acomodaram no ginásio do Sesc Venda Nova, na região metropolitana de Minas Gerais, e deu-se o início ao debate “Estratégia da Formação Sindical no Projeto Político-Organizativo da CUT. Saiba mais

Carta de Lula na íntegra:

Companheiros e companheiras,

Quero que vocês saibam da minha emoção ao receber o convite para essa 4ª Conferência Nacional de Formação da CUT, e ao ouvir as palavras tão carinhosas contidas na carta que vocês leram para mim. Duas coisas me mantêm forte aqui, nessa prisão onde nossos adversários me colocaram há mais de ano para me impedir de, junto com cada um e cada uma de vocês, continuar mostrando do que é capaz a classe trabalhadora quando tem a chance de governar um país. Essas duas coisas que me mantêm forte são o carinho e o espírito de luta do povo brasileiro.

Lembro que há muitos e muitos anos, encerrei uma assembleia dos metalúrgicos dizendo: “Nunca mais ousem duvidar da capacidade de luta da classe trabalhadora”. Esta frase nunca saiu da minha memória. E é uma alegria muito grande saber que ela não saiu também da cabeça de cada trabalhador e cada trabalhadora deste país. Ela continua forte na memória de todos vocês, mesmo daqueles que ainda não tinha nascido naquela época, quando o movimento sindical brasileiro renascia com força e com vontade.

E por que essa frase continua ecoando na cabeça de vocês, os mais jovens, os que vieram depois? Porque o espírito de luta corre em nossas veias, ele está no nosso DNA, a gente já nasce com ele, e se não nasce a gente vai adquirindo na medida em que cresce e aprende a sobreviver, a enfrentar e a superar cada injustiça que a gente sofre neste que é um dos países mais desiguais do mundo.

Fiz minha formação no chão de fábrica, organizando sindicatos, comandando greves, no calor da luta, junto com os mais velhos entre vocês. Essa nossa experiência tem que ser transmitida aos mais jovens. Eles precisam conhecer a história da Central Única dos Trabalhadores, precisam entender o que a criação da CUT significou num país onde até muito pouco tempo antes organização sindical era crime e greve dava cadeia.

Os mais jovens precisam aprender com a experiência das greves, das comissões de fábrica, das mobilizações, aprender com os nossos acertos e também com os nossos erros. É preciso usar esse conhecimento acumulado para criar as novas formas de luta, num mundo diferente, digital, em que até o perfil da classe trabalhadora vai se modificando.

É preciso enfrentar essa nova realidade: os avanços tecnológicos que diminuem os postos de trabalho, a tentativa de rasgar a CLT e destruir os direitos trabalhistas, o desemprego recorde produzido pelas políticas desastradas e criminosas daqueles que hoje governam este país. E para enfrentar essa realidade não tem outro caminho: é lutar, e lutar e lutar.

Nós trilhamos o caminho. Sentimos na sola dos nossos pés, sabemos no calo das nossas mãos como é pesado esse caminho. Mas não existem atalhos, não existem calçados mais confortáveis. O caminho é o da luta, é o da união da classe trabalhadora. Agora, e sempre, é seguir na direção justa, para tornarmos a construir um Brasil melhor para nós, nossos filhos e nossos netos.

À luta, companheiras e companheiros.

Um forte abraço do

Lula