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Em Conferência Estadual, CUT-RS define propostas de formação para futuro do trabalho

Com mais de 60 dirigentes de entidades sindicais, a 4ª Conferência Estadual de Formação da CUT-RS, realizada no último sábado (13), no auditório do Sindipolo, em Porto Alegre, definiu propostas de formação para o futuro do trabalho, que serão levadas para o debate na 4ª Conferência Nacional de Formação da CUT, marcada o período de 27 a 31 de maio, em Belo Horizonte.

Após saudação do presidente da CUT-RS, Claudir Nespolo, que destacou a importância da formação para o movimento sindical, a secretária nacional de Formação da CUT, Rosane Bertotti, e o ex-assessor da Confederação Nacional dos Metalúrgicos (CNM-CUT) e comentarista político da TVT, José Lopes Feijóo, fizeram exposições sobre a história e o papel da formação da CUT acerca das transformações no mundo do trabalho diante das novas tecnologias.

Houve também trabalhos em grupos, que aprofundaram os debates e apontaram propostas para fortalecer a luta sindical. O evento foi coordenado pela secretária de Formação da CUT-RS, Maria Helena de Oliveira.

Missão de formar dirigentes e trabalhadores não pode parar

“Qual o sindicato que queremos para o futuro? É aquele que só dialoga com a sua categoria ou aquele que vai pros bairros, para a periferia e promove o debate com a população?”, provocou Bertotti após resgatar a história das conferências nacionais de Formação e destacar o papel da educação sindical dos dirigentes das entidades e dos trabalhadores e das trabalhadoras.

Segundo ela, “o mundo do trabalho se transforma em um clique nos dias de hoje e, por isso, precisamos de uma nova estratégia para a formação de quadros sindicais porque sempre há uma agenda, uma luta a ser travada pela classe trabalhadora. E a missão de conscientizar sindicalistas e lideranças populares não pode parar em razão das demandas do dia a dia”.

As mudanças no cenário político nacional não passaram despercebidas pelo olhar atento da dirigente da CUT, que comparou a conjuntura atual, com o vivido pelo país durante a última conferência nacional de Formação, ocorrida há 13 anos, também na capital mineira. 

 “Naquela época, não tínhamos a ideia de que sofreríamos um golpe, de que teríamos os ataques da reforma trabalhista ou um presidente que ameaça a democracia e o direito à sindicalização”, disse Bertotti ao criticar o governo Bolsonaro e a Medida Provisória (MP) 873/2019, baixada no início do carnaval, que proíbe o desconto em folha das contribuições sindicais.

O futuro do trabalho e o trabalho do futuro

Ex-presidente  do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC e companheiro de Lula na histórica greve da categoria em 1978, Feijóo  fez uma palestra sobre “O futuro do trabalho e o trabalho do futuro. Ele salientou o papel das lideranças sindicais dentro dos ambientes de trabalho, sejam  fábricas ou escritórios, por exemplo.

 “Um dirigente precisa prestar atenção na sua base para arrebanhar a militância e identificar pessoas que tenham disposição, não só de lutar, mas de exercer um papel nessa luta”, observou o metalúrgico, que já na década de 1980 analisava o impacto das novas tecnologias no mundo do trabalho, em especial a metalurgia. Com a automatização de processos fabris, mudou a forma como os operários desempenhavam suas funções dentro de fábricas.

Conforme Feijóo, hoje vivemos um momento profundo de transformações tecnológicas e que, a cada dia, impactam ainda mais a vida das pessoas e a rotina de atividades das mais diversas profissões.

“Há consequências no ritmo de trabalho, no surgimento de novas doenças ocupacionais e até a extinção de alguns postos de trabalho. Os bancários, por exemplo, perderam 80% da mão de obra do setor para as novas tecnologias. Greve de bancário, hoje, afeta mais a marca do que as operações, porque elas são automáticas”, avaliou.

Para Feijóo, os avanços tecnológicos e os novos métodos de organização do trabalho estão impactando negativamente os sindicatos e a luta da classe trabalhadora. “Estão convencendo as pessoas de que elas sozinhas se resolvem, quebrando o conceito de solidariedade. Estamos nos tornando solitários em rede, falamos com o mundo, mas não com o filho e a esposa, isso é preocupante”, diagnosticou.

Próximas estações do trem da formação

Maria Helena, que também é diretora do Semapi-RS, considerou positivo o balanço da 4ª Conferência Estadual, onde foi eleita a delegação que vai participar da etapa regional de preparação do evento nacional, que será realizada no próximo dia 24 de abril, na Escola Sul da CUT, em Florianópolis.

“Lá, as delegações dos três estados do Sul do Brasil deverão apresentar propostas para a atualização da política nacional de formação da CUT”, apontou o coordenador-geral da FeteeSul e da Escola Sul da CUT, Celso Woyciechowski.

“Ao final da nossa conferência, conseguimos ocupar o vagão gaúcho deste trem de formação nacional, que deve percorrer os trilhos da resistência em nosso país”, destacou  a dirigente da CUT-RS, em uma clara analogia ao símbolo do encontro, um trem com vagões temáticos.

“A formação é o esteio da resistência da classe trabalhadora, principalmente neste período de retrocessos e retirada de direitos. Conscientes disso definimos ampliar e fortalecer a rede estadual de formação de quadros e lideranças para fazer a diferença na luta sindical e democrática”, destacou  Maria Helena.

*Matéria originalmente publicada no site da CUT RS

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