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Direitos e democracia na perspectiva de gênero e de raça também foram discutidos na Conafor

As palestrantes enfatizaram a importância da formação na compreensão do tema e na construção de propostas para superar os desafios que estão colocados pelos ataques dos governos Temer e Bolsonaro, por Rogério Hilário

O entrelaçamento das lutas das mulheres, dos negros, LGBTs, trans e a defesa de direitos com a luta de classes e o movimento sindical foi o eixo principal da Mesa Defesa dos direitos, da democracia e do socialismo na perspectiva de gênero, raça, diversidade sexual e direitos humanos nesta 4ª Conferência Nacional de Formação da CUT (Conafor), na tarde desta quarta-feira (29).

A atividade teve como debatedoras a pesquisadora Marilane Teixeira, da UNICAMP,  Anne Karolyne Moura de Souza, da Secretaria de Mulheres do PT e Junéia Batista, secretária Nacional da Mulher Trabalhadora da CUT.

As palestrantes enfatizaram a importância da formação na compreensão do tema e na construção de propostas para superar os desafios que estão colocados pelos ataques dos governos Temer e Bolsonaro e aos avanços que foram conquistados, apesar do preconceito, da homofobia, do machismo e do racismo, que vêm recrudescendo no país.

Marilane conceituou o feminismo diante da perspectiva do capitalismo e dos retrocessos que enfrentamos no Brasil e no mundo. “Nosso feminismo é anticapitalista, antirracista, antissexista”.

Segundo ela, primeiro ele [o capitalismo] refuta a ideia de que os direitos são individuais, que as mulheres têm que conquistar espaços nas empresas, já que a ascensão é reservada para uma minoria nesse sistema capitalista.

A pesquisadora alertou que o neoliberalismo, na atualidade, tenta maquiar a opressão de gênero. “O neoliberalismo remodela a opressão de gênero. Ele dá um verniz, um colorido.

“Defendemos a igualdade com os homens, não equidade, pois ela não significa melhoria. A igualdade tem como base a vida, não uma lógica de mercado. Nosso feminismo é em defesa dos direitos das mulheres, dos negros, dos LGBTs, dos trans, dos indígenas. Tem que se defender todas as pessoas exploradas, dominadas e oprimidas.”, sintetizou

No Brasil, segundo ela, são muitos os desafios.  “Estamos vivendo, hoje, a política de austeridade fiscal, que tem como objetivo zerar todos os programas sociais e políticas de enfrentamento com o preconceito, a violência e a desigualdade. As condições objetivas sobre o tema é uma hipocrisia. Para construir uma transformação profunda, desmantelar as instituições que nos reprimem, é preciso muita luta. Não é uma luta identitária. É mais ampla, por justiça ambiental, mundo sem racismo, pauta feminista.

“Discussão de gênero, raça e classe é central, são temas fundamentais, que para nós se interseccionam”, continuou Marilane Teixeira. “Ser pobre e negra é diferente de ser pobre e branca, mas todas estão subjugadas pelo patriarcado. Nossas alianças são de classe, nossa relação é prioritária e central”, disse Marilane.

Anne Karoline usou sua ascendência indígena para falar sobre a construção da sociedade brasileira. “Sou descendente de índios. Meus saberes e meus valores vêm de longe, dos meus ancestrais. Isto me possibilita visualizar melhor a diversidade deste país”.

“Mas precisamos, antes de mais nada, conhecer a realidade do Brasil. Por isso comecei falando sobre a minha origem indígena. Muita gente anda de carro, de ônibus e não faz ideia de como os povos da Amazônia ficam dias em barcos para se deslocar para outra cidade. Assim poderemos tratar com mais propriedade do recorte deste país e da realidade de todas as violências que estão nos atingindo, negros, mulheres, LGBTs, trans”, reafirmou a dirigente petista.

Para Anne pautas precisam ser consolidadas e a formação é um grande instrumento para isso. Juntar a teoria, compreender porque a gente luta e quais as bases.

“Desta forma, a gente vai conseguir transformar o futuro. Eu acredito nisto. Nossa tarefa é somar forças, temos o dia 30 agora e dia 14. Continuo tendo muita esperança, quero dizer que precisamos temos que lutar por tudo isto, mas com muita solidariedade, com compaixão entre nós, vamos segurar forte uns nas mãos dos outros, não podem tirar nossa esperança. Ela nos move e nos faz lutar por um mundo melhor”, concluiu.